ASIS 2026-2029

Análise de Situação de Saúde de Afuá

Esta ASIS consolida os cadernos técnicos de Afuá para orientar o Plano Municipal de Saúde 2026-2029. O município é insular, ribeirinho e de acesso exclusivamente fluvial; por isso, os problemas de saúde não podem ser lidos sem considerar transporte, dispersão territorial, dependência regional e capacidade de fixação de equipes.

A versão usa como lastro os cadernos de perfil demográfico, epidemiológico, rede assistencial, gestão do trabalho, recursos financeiros, fluxos assistenciais, determinantes sociais, vigilância epidemiológica, atenção primária e primeira infância, além do perfil municipal e da situação DGMP registrada no workspace.

Painel de Indicadores Calculados

IndicadorResultado usado no PMSFonte
População IBGE 202540.473 habitantesIBGE/DW Akapu
Projeção populacional 202941.359 habitantes (+2,19% vs. 2025)Caderno 01
Nascidos vivos 2022-20254.052 registros; cerca de 1.000/anoSINASC/Caderno 01
Pré-natal com 7+ consultas42,7% em 2025SINASC/Caderno 02
Gravidez na adolescência25,2% em 2025SINASC/Caderno 02
Causas mal definidas23,4% a 28,4% dos óbitosSIM/RAG/Caderno 02
Cadastros e-SUS ativos sem óbito57.453; 142,0% da população IBGE 2025e-SUS AB/Caderno 09
Estabelecimentos CNES ativos38, incluindo 31 postos, 1 UBS, 1 hospital geral e 1 vigilânciaSCNES 02/2026/Caderno 09
Profissionais ACS128 ACS, 5.120h ambulatoriaisSCNES 02/2026/Caderno 09
Produção SIA 202583.614 procedimentos; R$ 1.151.728,64SIA/SUS/Caderno 05

Síntese Interpretativa

Afuá inicia o ciclo 2026-2029 com população oficial de 40.473 habitantes em 2025 e projeção técnica de 41.359 habitantes em 2029. O crescimento total é moderado, mas a composição etária muda mais rápido que o volume populacional: a faixa de 60 anos ou mais cresceu 11,8% entre 2022 e 2025, enquanto a base infantil começa a perder peso relativo. O PMS precisa manter capacidade materno-infantil robusta e, simultaneamente, abrir linha de cuidado para pessoa idosa, DCNT e atenção domiciliar.

O componente materno-infantil é central. O município registra cerca de mil nascidos vivos por ano, pré-natal adequado ainda abaixo de 50%, gravidez adolescente de 25,2% em 2025 e forte regionalização do parto para Macapá, Santana e Belém. A mortalidade infantil aparente zerada é inconsistente com o volume de nascimentos e com registros perinatais, devendo ser tratada como problema de informação e investigação, não como resultado sanitário favorável.

A vigilância deve ser reordenada. Causas mal definidas acima de 20%, vacinação infantil registrada como 0%, doença de Chagas aguda, sífilis, acidentes com animais peçonhentos e agravos ocupacionais ribeirinhos configuram risco sanitário prioritário. A rede precisa combinar vigilância de base comunitária, salas de vacina itinerantes, regularização da rede de frio, inspeção sanitária do açaí e qualificação de SIM, SINASC, SINAN e e-SUS AB.

A APS é a principal resposta municipal, mas o cadastro operacional exige saneamento: 57.453 cadastros ativos sem óbito equivalem a 142,0% da população IBGE 2025. Esse excesso distorce indicadores de cobertura, financiamento e monitoramento. A produção ambulatorial cresceu fortemente entre 2022 e 2025, mas há alerta de competências SIA faltantes e dependência externa para procedimentos, partos e referências.

Matriz GUT da ASIS

A priorização usa a matriz GUT, com pontuação de 1 a 5 para Gravidade, Urgência e Tendência. O score é o produto G x U x T e orienta o vínculo entre problema, diretriz, objetivo, meta e indicador.

TemaProblema priorizadoEvidênciaGUTScoreResposta no DOMI
Qualidade da informação vitalÓbitos por causas mal definidas em patamar crítico, cerca de 23,4% a 28,4% dos óbitos, comprometendo mortalidade infantil, DCNT e causas específicas.Caderno 02; RAG 2024; SIM 2022-2025.555125D1/O1 - qualificar SIM/SINASC/e-SUS/SINAN e investigar eventos sentinela.
ImunizaçãoCobertura vacinal de crianças de 2 anos registrada como 0%, com fiscalização do TCM/PA sobre rede de frio.Caderno 02; situação dos instrumentos de gestão.555125D2/O2 - recuperar cobertura >= 95% e regularizar rede de frio.
Saúde materno-infantilPré-natal adequado em 42,7% em 2025, gravidez adolescente em 25,2% e cerca de 1.000 nascidos vivos/ano.Cadernos 02, 08 e 10; SINASC 2022-2025.554100D3/O3 - linha materno-infantil ribeirinha e Rede Alyne.
Rede e fluxosTerritório insular com acesso exclusivamente fluvial, dependência de Macapá, Santana e Belém para partos, exames e referências.Cadernos 01, 02, 03 e 06; SINASC 2020-2025; SIA/SUS.545100D4/O4 - transporte sanitário fluvial e pactuação regional.
APS e cadastro57.453 cadastros e-SUS ativos sem óbito para população IBGE 2025 de 40.473 habitantes, razão operacional de 142,0%.Caderno 09; e-SUS AB; IBGE 2025.455100D1/O1 e D5/O5 - saneamento cadastral e territorialização.
Força de trabalhoRede sustentada por profissionais com risco de rotatividade e alta dependência de médicos do PMMB.Cadernos 04 e 09; RDQAs/RAG 2025.44580D6/O6 - fixação, educação permanente e provimento.
Vigilância amazônicaNotificações relevantes de doença de Chagas aguda, sífilis, acidentes por animais peçonhentos e agravos ocupacionais ribeirinhos.Cadernos 02, 07 e 08; SINAN 2022-2025.44464D7/O7 - vigilância integrada e resposta territorial.
Acesso ambulatorialProdução SIA cresceu de 9.654 procedimentos em 2022 para 83.614 em 2025, mas há alerta de competências faltantes e dependência externa.Cadernos 03, 05, 06 e 09; SIA/SUS.44464D8/O8 - regularizar produção, financiamento e regulação.
EnvelhecimentoPopulação 60+ cresceu 11,8% entre 2022 e 2025, com 3.201 idosos em 2025 e demanda crescente por DCNT, medicamentos e atenção domiciliar.Cadernos 01 e 02; IBGE/DW Akapu.43560D9/O9 - linha de cuidado da pessoa idosa e DCNT.
Saúde mentalAusência de CAPS próprio e barreira logística para RAPS regional, com base legal municipal para políticas sobre drogas e psicossocial escolar.Caderno 02; legislação municipal de Afuá.43448D10/O10 - cuidado psicossocial na APS e pactuação RAPS.

Questões Orientadoras por Componente

Demografia e determinantes

  • Como revisar anualmente metas de cobertura a partir das estimativas IBGE e do cadastro saneado do e-SUS?
  • Quais comunidades ribeirinhas concentram maior barreira de acesso, vulnerabilidade social e risco ambiental?
  • Como adaptar a rede ao envelhecimento sem reduzir a resposta materno-infantil?

Epidemiologia e vigilância

  • Quais óbitos mal definidos do quadriênio 2022-2025 devem ser investigados retroativamente?
  • Como recuperar vacinação infantil com rede de frio auditável e agenda fluvial?
  • Como articular vigilância sanitária do açaí, zoonoses, acidentes peçonhentos e sífilis em rotina integrada?

Rede, APS e fluxos

  • Quais pontos de atenção precisam de agenda itinerante, teleconsultoria ou transporte sanitário regular?
  • Que fluxos com Macapá, Santana, Belém e Breves precisam ser formalizados em CIR/PPI?
  • Como reduzir o excesso cadastral sem perder cobertura de famílias ribeirinhas reais?

Gestão, trabalho e financiamento

  • Como diminuir a dependência de vínculos frágeis e do provimento federal na atenção médica?
  • Quais competências SIA de 2025 faltam e que rotina evita nova interrupção?
  • Como vincular metas do PMS a PPA, LDO, LOA, PAS, RDQA e RAG com evidência auditável?

Encaminhamento para o Plano

A ASIS aponta dez problemas prioritários. O DOMI do PMS deve responder primeiro à qualificação da informação, vacinação, linha materno-infantil ribeirinha, regulação fluvial, saneamento cadastral, provimento profissional, vigilância amazônica, regularização da produção SIA, cuidado da pessoa idosa/DCNT e saúde mental territorializada.