Caderno de Saúde 02

Perfil Epidemiológico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Afuá


1. Apresentação

Este caderno apresenta o perfil epidemiológico e de morbimortalidade de Afuá com o objetivo de subsidiar a elaboração do Plano Municipal de Saúde (PMS) 2026-2029. O recorte cobre os principais eixos do componente epidemiológico do Mapa da Saúde: morbidade transmissível e crônica, mortalidade por grandes grupos de causa, saúde materno-infantil, internações sensíveis à Atenção Primária, cobertura vacinal, saúde mental e agravos prioritários do território amazônico ribeirinho. A finalidade é oferecer ao gestor, ao Conselho Municipal de Saúde e à equipe técnica uma base analítica para identificar problemas, definir prioridades e converter os achados em diretrizes do DOMI.

Recorte temporal e geográfico. A janela analítica padrão das séries históricas é 2015-2025, com aprofundamento no quadriênio 2022-2025 (que coincide com o pós-Censo 2022 e com o ciclo do PMS anterior). Os indicadores epidemiológicos populacionais usam como denominador a estimativa IBGE 2025 consolidada no Data Warehouse Akapu (40.473 habitantes). Afuá é município insular do arquipélago do Marajó, com sede na ilha homônima e dezenas de comunidades ribeirinhas espalhadas por mais de 8.300 km², acessíveis exclusivamente por embarcação. Esse recorte territorial estrutura toda a análise: a oferta de serviços, o tempo de transporte sanitário e o perfil de agravos têm natureza ribeirinha amazônica.

Fontes de dados. A análise prioriza as bases locais municipais carregadas no Data Warehouse Akapu, especialmente SINASC, SIM e SINAN, e usa o DATASUS federal como fallback sempre que o dado local não estiver disponível ou apresentar inconsistência de transmissão. O painel de evidências do Data Warehouse, materializado no início desta view, sintetiza os dados primários do quadriênio 2022-2025 e serve de chão analítico para todas as seções. Para indicadores derivados de pactuação federativa, recorremos às metas registradas no PMS 2022-2025 e nos relatórios do quadriênio (RAG e RDQAs), com nota explícita quando a informação primária não estiver disponível no DW.

Governança do caderno. A redação é assessoria técnica da Akapu Saúde, em diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde de Afuá. A apreciação técnica e a aprovação são atribuição da gestão municipal e do Conselho Municipal de Saúde. As metas para 2026-2029 referenciadas neste caderno são, em sua maioria, estimativas para discussão; a pactuação final cabe à PAS 2026 e ao DOMI do PMS.

Município: Afuá (PA, IBGE 150030). Macrorregião de Saúde: Marajó. Região de Saúde: Marajó I (CIR Marajó I). Mesorregião IBGE: Marajó. Microrregião IBGE: Furos de Breves. Porte populacional: Pequeno II (entre 20 mil e 50 mil habitantes). População 2025: 40.473 hab (IBGE/DW). Área: 8.372,77 km². IDH-M: 0,489 (baixo, Censo 2010). Acesso: exclusivamente fluvial (sem acesso rodoviário à sede).
Nota metodológica. Em municípios de Pequeno II como Afuá, com cerca de 1.000 nascidos vivos e cerca de 120 óbitos por ano, flutuações anuais de poucos casos podem produzir variações percentuais expressivas em indicadores específicos (mortalidade materna, sífilis congênita, mortalidade infantil). A análise privilegia, sempre que possível, a tendência da série histórica e o agregado quadrienal em vez de valores pontuais isolados. Para indicadores raros, prefere-se número absoluto a taxas instáveis.

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Afuá entra no PMS 2026-2029 com um perfil epidemiológico marcado por contrastes típicos de município insular do Marajó. A população cresce em ritmo lento mas sustentado, atingiu 40.473 habitantes em 2025 e mantém uma das maiores razões de natalidade do estado, com cerca de mil nascidos vivos por ano. Apesar dessa pressão demográfica permanente sobre a rede materno-infantil, três indicadores pactuados estruturam a leitura sanitária do quadriênio anterior: a mamografia de rastreamento permanece zerada, a cobertura vacinal de crianças de dois anos foi confirmada em 0% por auditoria do TCM/PA, e cerca de 28% dos óbitos do município são registrados como sinais e sintomas mal definidos (capítulo XVIII da CID-10). Esses três alertas, persistentes desde o RAG 2024, indicam que a vigilância epidemiológica e a oferta de serviços de prevenção secundária têm capacidade muito limitada de operar no território fluvial.

A mortalidade infantil aparece zerada no painel local do SIM em todos os anos do quadriênio (2022-2025), o que é incompatível com mais de 950 nascidos vivos anuais e com 55 óbitos por afecções perinatais (capítulo XVI) registrados no mesmo período. Esse descasamento entre o numerador (óbitos infantis) e o denominador (nascidos vivos) sugere subnotificação severa de óbitos em menores de um ano, possivelmente associada a partos domiciliares em comunidades ribeirinhas, ao deslocamento fluvial até hospitais de referência em Macapá ou Belém e à precariedade do registro civil em sub-localidades. A própria preponderância do capítulo XVIII (mal definidos) na primeira posição entre as causas de morte reforça a hipótese, e torna a qualificação do registro de óbitos a primeira tarefa epidemiológica do PMS 2026-2029.

No campo materno, o indicador de pré-natal com 7 ou mais consultas evoluiu de 32,5% (328 em 1.010 NV) em 2022 para 42,7% (433 em 1.013 NV) em 2025, ainda muito distante do parâmetro nacional (acima de 80%). A gravidez na adolescência partiu de 30,1% em 2022 e caiu para 25,2% em 2025, mas continua quase o dobro da média nacional (cerca de 14 a 16%). As cesáreas avançaram fortemente, de 21,7% em 2022 para 35,7% em 2025, sinal de mudança no fluxo obstétrico (provável aumento de transferência via TFD para Macapá ou Belém em gestações de risco). O baixo peso ao nascer permanece estável em torno de 9 a 10% dos NV, compatível com o perfil materno do território.

Na mortalidade por causas, o quadriênio 2022-2025 registra crescimento das causas externas (XX), de 20 óbitos em 2022 para 28 em 2025, e ascensão das neoplasias (II), que passaram de 8 para 18 óbitos no mesmo intervalo, uma duplicação. As doenças do aparelho circulatório (IX) também se elevam (de 6 para 11). O agregado de agravos notificados ao SINAN local no período é dominado por acidentes com animais peçonhentos e por exposição a forças da natureza, perfil ocupacional ribeirinho consistente com a economia da pesca, do extrativismo do açaí e da agricultura familiar. A doença de Chagas aguda (B57.1, 170 notificações no quadriênio) confirma a Amazônia como zona de transmissão oral persistente, exigindo vigilância sobre o açaí. A sífilis (gestacional e total) permanece notificada de forma significativa, com 130 registros somados (O98.1 e A53.9) no período.

Para o quadriênio 2026-2029, três frentes mínimas precisam estar pactuadas no DOMI: (i) recuperar a vacinação infantil até 95% de cobertura em pelo menos 14 dos 16 imunobiológicos do calendário, com ações específicas para comunidades ribeirinhas; (ii) qualificar o registro de óbitos, reduzindo o capítulo XVIII abaixo de 10% e apurando a taxa real de mortalidade infantil; (iii) ampliar pré-natal adequado para acima de 70% e reduzir gravidez na adolescência para abaixo de 20%, com ações intersetoriais educação-saúde-assistência social. As demais ações (oncologia, saúde mental, controle de causas externas, vigilância de doenças tropicais) compõem o conjunto de problemas importantes do componente.

Principais recomendações ao PMS 2026-2029
  • Recompor a cobertura vacinal infantil para >= 95% em ao menos 14 dos 16 imunobiológicos, com cronograma de salas de vacina itinerantes nas comunidades ribeirinhas e cumprimento integral da fiscalização TCM/PA sobre a rede de frio.
  • Qualificar o preenchimento da Declaração de Óbito e implantar busca ativa de óbitos infantis em comunidades, com meta de reduzir o capítulo XVIII abaixo de 10% e apurar a taxa real de mortalidade infantil.
  • Reestruturar a linha materno-infantil com captação no primeiro trimestre, meta de pré-natal 7+ acima de 70% e enfrentamento integrado da gravidez na adolescência (Programa Saúde na Escola, equipe multiprofissional, planejamento reprodutivo).
  • Implantar oferta local de mamografia ou pactuar fluxo regulado regional, em pactuação CIR Marajó I, com meta mínima de razão 0,30 ao final do quadriênio.
  • Estruturar plano municipal de prevenção do suicídio articulado com CAPS regional, e linha de cuidado para violência interpessoal/autoprovocada.
  • Consolidar a vigilância de DTN (doença de Chagas, malária, hanseníase, leishmaniose) e da exposição a animais peçonhentos como agenda permanente.

2. Perfil de Morbidade

2.1. Doenças transmissíveis

Notificações SINAN de 2025 por sexo e faixa etária

Em 2025, a base local municipal do SINAN registrou 510 notificações de residentes de Afuá. O perfil é coerente com o território ribeirinho: predominam atendimento antirrábico, acidentes por animais peçonhentos e acidentes de trabalho grave, com concentração masculina nos agravos ocupacionais e exposição importante de crianças, adolescentes e adultos jovens. A leitura sexo-faixa reforça três agendas para o PMS 2026-2029: vigilância de zoonoses e soroterapia em tempo oportuno, saúde do trabalhador ribeirinho e qualificação da rede de proteção para violências.

AgravoTotal 2025MasculinoFemininoMediana de idadeFaixa etária predominante
Atendimento antirrábico138835524 anos20-29 anos
Acidente por animais peçonhentos122992330 anos20-29 anos
Acidente de trabalho grave6864436 anos30-39 anos
Violência interpessoal/autoprovocada33122119 anos10-14 anos
Doença de Chagas aguda30181230 anos40-49 anos
Sífilis em gestante1801820,5 anos20-29 anos
Sífilis não especificada1810825 anos20-29 anos
Leptospirose1210216 anos15-19 anos
Coqueluche9720 anoMenores de 1 ano
Hanseníase84453,5 anos50-59 anos
Aids75227 anos20-29 anos
Sífilis congênita7420 anoMenores de 1 ano

Nos agravos de maior volume, o atendimento antirrábico se distribuiu por todo o ciclo de vida, com maior concentração em 20-29 anos (23 notificações), 5-9 anos (20), 15-19 anos (16) e 40-49 anos (16). Acidentes por animais peçonhentos concentraram-se em homens de 20-39 anos (45 notificações masculinas nessas duas faixas), padrão compatível com pesca, extrativismo e agricultura familiar. Acidente de trabalho grave teve predomínio ainda mais marcado em homens adultos: 39 notificações masculinas entre 20 e 39 anos.

A violência interpessoal/autoprovocada teve predominância feminina (21 de 33 notificações) e concentração em adolescentes de 10-19 anos (16 notificações), exigindo atuação integrada da APS, escola, Conselho Tutelar, assistência social e rede regional de saúde mental. A doença de Chagas aguda somou 30 notificações, com casos em crianças e adultos e maior volume em 40-49 anos, sustentando a recomendação de vigilância sanitária das batedeiras de açaí e investigação imediata de síndromes febris compatíveis.

Agravo prioritárioFaixa etáriaMasculinoFemininoTotal% do agravo
Atendimento antirrábico20-29 anos11122316,7%
Atendimento antirrábico5-9 anos10102014,5%
Acidente por animais peçonhentos20-29 anos2553024,6%
Acidente por animais peçonhentos30-39 anos2032318,9%
Acidente de trabalho grave30-39 anos1832130,9%
Acidente de trabalho grave20-29 anos1912029,4%
Violência interpessoal/autoprovocada10-14 anos36927,3%
Violência interpessoal/autoprovocada15-19 anos25721,2%
Doença de Chagas aguda40-49 anos44826,7%
Sífilis em gestante20-29 anos08844,4%
Sífilis congênitaMenores de 1 ano427100,0%

Os demais agravos com volume residual em 2025 incluem febre amarela (7), acidente de trabalho com exposição a material biológico (6), intoxicação exógena (6), zika (3), leishmaniose visceral (3), toxoplasmose congênita (3), hepatites virais (1), tuberculose (1) e outros eventos raros. A lacuna de notificação mais sensível é a ausência de dengue com volume relevante em um município amazônico exposto a arboviroses; esse achado deve ser tratado como hipótese de subnotificação de casos leves até validação com a vigilância municipal.

Fonte: SINAN, base local municipal consolidada no Data Warehouse Akapu. Filtro por município de residência Afuá (IBGE 150030), ano de notificação 2025. Extração utilizada em abril/2026.

2.1.1. Dengue, chikungunya, zika e arboviroses

Afuá, como todo município amazônico, está em área de risco permanente de arboviroses. O território ribeirinho favorece a presença vetorial em criadouros peridomiciliares e em embarcações, e a sazonalidade hidrológica expande temporariamente os corpos d'água. O painel SINAN do quadriênio não traz dengue entre os agravos com volume significativo, o que pode refletir tanto baixa transmissão local quanto subnotificação de casos leves não atendidos na rede municipal.

IndicadorLinha de base (PMS 2022-2025)Meta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
Óbitos por dengue (número absoluto)000
Ciclos com 80%+ de cobertura de imóveis visitadosA confirmar5 ciclos6 ciclos

A meta de zero óbitos por arboviroses, em município ribeirinho com população dispersa, depende de vigilância vetorial regular nos núcleos urbanos da sede e de capacidade de identificação precoce nos núcleos comunitários. Recomenda-se incluir no DOMI 2026-2029 meta explícita de cobertura mínima de seis ciclos anuais de visita domiciliar, com plano específico para ilhas e furos.

2.1.2. Malária

A malária é agravo de vigilância obrigatória na Amazônia. O painel SINAN do quadriênio não registra malária entre os agravos de maior volume em Afuá, o que pode indicar tanto controle local quanto necessidade de validação da série histórica do SIVEP-Malária no Data Warehouse. Para o município insular do Marajó, a vigilância tem foco em casos importados (deslocamentos fluviais para áreas continentais de transmissão) e em sintomáticos febris atendidos na rede de APS.

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
IPA de malária (casos autóctones por 1.000 hab)A confirmarManter abaixo de 1Manter abaixo de 1

2.1.3. Hanseníase

O Pará é estado historicamente endêmico para hanseníase. Em municípios ribeirinhos, o desafio adicional é o exame de contatos intradomiciliares em comunidades dispersas. O acervo SINAN local não destaca hanseníase como agravo de maior volume em Afuá no quadriênio, mas a doença permanece prioritária no calendário federal de vigilância (Brasil sem Hanseníase) e deve compor o DOMI do PMS 2026-2029.

IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
Proporção de cura de casos novos (coortes)A confirmar>= 90%>= 95%
Proporção de contatos intradomiciliares examinadosA confirmar>= 80%>= 90%

2.1.4. Tuberculose

Tuberculose é doença de notificação compulsória e prioridade do Programa Nacional. A operação em território ribeirinho exige Tratamento Diretamente Observado (TDO) compatível com o deslocamento por embarcação, busca ativa de faltosos e articulação estreita com a APS. O agravo aparece de forma residual no painel SINAN local do quadriênio, sugerindo necessidade de qualificação do diagnóstico ativo e da notificação.

IndicadorLinha de base (a confirmar)Meta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
Cura de TB pulmonar bacilíferaA confirmar>= 85%>= 90%
Testagem anti-HIV em casos novos de TBA confirmar100%100%

2.1.5. Sífilis (adquirida, gestacional e congênita)

A sífilis tem volume significativo nas notificações de Afuá. Somando os códigos O98.1 (sífilis na gestação, 68 notificações) e A53.9 (sífilis não especificada, 62 notificações), o painel SINAN registra 130 notificações no quadriênio. A sífilis congênita reflete diretamente a qualidade do pré-natal e a oportunidade de tratamento da gestante e da parceria sexual; em município com pré-natal 7+ ainda em torno de 40%, a estabilidade de notificação de sífilis gestacional indica oportunidade de detecção, mas exige vigilância sobre o tratamento adequado.

IndicadorAcumulado 2022-2025 (SINAN local)Meta sugerida 2026-2029
Sífilis gestacional (O98.1) - notificações68Aproximar tratamento de 100% das gestantes notificadas
Sífilis adquirida (A53.9) - notificações62Manter notificação ativa, ampliar testagem em homens parceiros
Sífilis congênita - casosA confirmar via SINANTendência de zero (meta-ouro)

2.1.6. HIV/Aids e hepatites virais

A linha de base municipal de HIV/aids no DW está limitada. O monitoramento prioritário é do diagnóstico tardio (CD4 < 200) e da testagem oportuna no pré-natal e no caso de tuberculose. As hepatites virais devem entrar como agenda permanente, dadas as condições de saneamento ribeirinho e a circulação de hepatite A em áreas com abastecimento de água frágil.

2.1.7. Leishmaniose tegumentar americana (LTA) e visceral

A LTA é doença tropical negligenciada endêmica na Amazônia, transmitida pelo flebotomíneo (Lutzomyia sp.) em áreas de mata e proximidade peridomiciliar. O perfil ribeirinho de Afuá é compatível com transmissão silvestre/peridomiciliar, especialmente entre homens em idade produtiva ocupados em pesca, extrativismo e agricultura familiar. A leishmaniose visceral é menos frequente, mas a vigilância deve estar ativa em razão da presença canina.

2.1.8. Doença de Chagas (B57.1, transmissão oral)

A doença de Chagas aguda (B57.1) é o terceiro agravo mais notificado no painel SINAN local de Afuá no quadriênio, com 170 notificações. A Amazônia paraense é a principal zona de transmissão oral de Chagas no Brasil, em geral por consumo de polpa de açaí ou bacaba contaminadas com triatomíneos durante o processo artesanal de despolpa. O dado é tecnicamente compatível com o perfil produtivo de Afuá (extrativismo do açaí). A vigilância exige inspeção sanitária das batedeiras, divulgação de boas práticas de despolpa (branqueamento térmico) e investigação imediata de casos suspeitos com cardiopatia aguda.

ALERTA epidemiológico ribeirinho: 170 notificações de doença de Chagas aguda (B57.1) no acumulado 2022-2025 colocam o agravo no terceiro lugar do painel SINAN local. A vigilância sanitária da despolpa do açaí deve ser meta explícita do PMS 2026-2029, articulada com o SEVISA municipal (Lei Municipal 329/2010) e com a vigilância estadual.

2.2. Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)

2.2.1. Mortalidade prematura por DCNT (30 a 69 anos)

A mortalidade prematura por DCNT é o indicador-síntese do componente crônico. Engloba as quatro principais causas: doenças do aparelho circulatório (CID I00-I99), neoplasias (C00-C97), diabetes (E10-E14) e doenças respiratórias crônicas (J30-J98, exceto J36). Em Afuá, a faixa de 30 a 69 anos somava cerca de 14.998 pessoas em 2025 (5.743 + 4.498 + 2.927 + 1.830, conforme pirâmide etária IBGE/DW), e o pacote de óbitos por aparelho circulatório, neoplasias e respiratório totalizou 71 óbitos no quadriênio (apenas a soma dos óbitos registrados nos painéis publicados, sem corte etário e sem desconto de R00-R99).

IndicadorLinha de base sugerida (2022)Meta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
Taxa de mortalidade prematura (30-69 anos) por DCNT (por 100 mil hab na faixa)A apurar via SIM local com filtro etário 30-69 e CID DCNTReduzir 5% ao anoReduzir 10% ao final do quadriênio

A duplicação dos óbitos por neoplasias entre 2022 (8 óbitos) e 2025 (18 óbitos) e o crescimento das mortes circulatórias (de 6 para 11) sinalizam que a faixa adulta-idosa do município pressiona a rede assistencial e exige linha de cuidado de DCNT estruturada na APS, com estratificação de risco cardiovascular, manejo de hipertensão e diabetes pelo e-SUS AB e fluxo regulado para média e alta complexidade fora do território (Belém, Castanhal, Macapá).

2.2.2. Hipertensão e diabetes

Não há, na fase atual de exploração do Data Warehouse Akapu, base local consolidada de prevalência de hipertensão e diabetes para Afuá derivada do e-SUS AB. A morbidade dessas duas condições é capturada indiretamente pela ICSAB (seção 4) e pelo perfil de mortalidade circulatória e por diabetes. A construção da linha de base via e-SUS AB (tabela tb_fat_atendimento_individual) é uma lacuna estruturante a ser endereçada antes do início efetivo do PMS 2026-2029.

2.3. Agravos

2.3.1. Violência interpessoal e autoprovocada

A violência interpessoal e autoprovocada aparece no painel SINAN local com 104 notificações sob o código Y09 (violência/agressão). O acidente de trabalho (Y96) também tem volume relevante (111 notificações), perfil compatível com economia de pesca, extrativismo e agricultura familiar. Para o PMS 2026-2029, a recomendação é universalizar a notificação contínua em todas as unidades e qualificar o preenchimento por equipe da APS treinada.

IndicadorLinha de baseMeta sugerida 2026-2029
Unidades com notificação contínua de violência interpessoal/autoprovocadaA confirmar (sugerido: parcial em 2022)100% das UBS e da Unidade Mista até 2027

2.3.2. Acidentes e causas externas

As causas externas (capítulo XX) somaram 89 óbitos no quadriênio em Afuá, com tendência de elevação (20 em 2022, 28 em 2025). É o segundo capítulo CID com mais óbitos no município, atrás apenas de sinais e sintomas mal definidos (XVIII). A desagregação por tipo (acidentes de transporte, acidentes em embarcação, agressões, lesões autoprovocadas, afogamentos) deve ser produzida pela vigilância local a partir do SIM, e o quadro é particularmente sensível ao território fluvial (afogamentos e acidentes em embarcação).

Indicador2022202320242025Variação 2022-2025
Óbitos por causas externas (XX)20231828+40,0%
ALERTA: a elevação de 40% nos óbitos por causas externas entre 2022 e 2025, em município insular com cerca de 40 mil habitantes, exige desagregação imediata por tipo (acidentes de transporte e em embarcação, agressões, lesões autoprovocadas, afogamentos) para fundamentar políticas de prevenção. Considerar ampliação do controle de afogamentos em comunidades ribeirinhas e ações intersetoriais com Polícia Civil e Marinha.

3. Perfil de Mortalidade

3.1. Mortalidade geral e qualidade do registro

A primeira tarefa de qualquer análise de mortalidade é avaliar a qualidade do registro. Em Afuá, os 114 óbitos do capítulo XVIII (sinais e sintomas mal definidos) representam aproximadamente 23,4% dos 489 óbitos totais somados nos painéis 2022-2025 do SIM local, percentual incompatível com o parâmetro nacional para municípios brasileiros (abaixo de 10%) e confirmado pelo RAG 2024 do município (28,4%). Sem qualificação desse registro, todas as análises de causa específica ficam comprometidas.

IndicadorLinha de base (2022, RAG)Meta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
Proporção de óbitos com causa básica definida (excluído cap. XVIII)Cerca de 71% (referência RAG 2024)>= 80%>= 90%

A meta sugerida para 2026-2029 é progressiva: alcançar pelo menos 90% de causa básica definida, com capacitação anual de médicos atestantes, instituição de Comitê Municipal de Investigação de Óbitos e busca ativa nas Unidades Mistas e nas comunidades.

3.1.1. Detalhamento por CID-10 das principais causas de óbito

O detalhamento abaixo desce do capítulo CID-10 para o CID de 3 caracteres, usando óbitos de residentes registrados no SIM, base local municipal, no período 2022-2025. Em municípios de pequeno porte, CIDs com poucos óbitos devem ser lidos como sinal de prioridade e não como taxa estável.

AnoTotal de óbitosMal definidas (R00-R99)% mal definidas
20221062624,5%
20231313829,0%
20241122724,1%
20251302317,7%
Qualidade da causa básica: no quadriênio, 114 de 479 óbitos ficaram em R00-R99 (23,8%). A meta nacional de referência é manter mal definidas abaixo de 5%; quando o percentual municipal fica acima disso, a primeira intervenção do PMS deve ser qualificar a Declaração de Óbito e a investigação de mortalidade.
Capítulo prioritárioCID-10DescriçãoÓbitos% do capítulo% do total
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR99Outras causas mal definidas e nao especificadas de mortalidade9280,7%19,2%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR54Senilidade1614,0%3,3%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR09Outros sintomas e sinais relativos aos aparelhos circulatorio e respiratorio21,8%0,4%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR10Dor abdominal e pelvica21,8%0,4%
XVIII. Sinais e sintomas mal definidosR57Choque nao classificado em outra parte10,9%0,2%
XX. Causas externasX99Agressao por objeto cortante ou penetrante1314,6%2,7%
XX. Causas externasW69Afogamento/submersao em aguas naturais1213,5%2,5%
XX. Causas externasX70Lesao autoprovocada intencionalmente por enforcamento/estrangulamento/sufocacao89,0%1,7%
XX. Causas externasW70Afogamento/submersao apos queda em aguas naturais55,6%1,0%
XX. Causas externasX95Agressao por disparo de outra arma de fogo ou nao especificada55,6%1,0%
XVI. Afeccoes perinataisP95Morte fetal de causa nao especificada2137,5%4,4%
XVI. Afeccoes perinataisP00Feto/recem-nascido afetado por afeccoes maternas712,5%1,5%
XVI. Afeccoes perinataisP02Feto/recem-nascido afetado por complicacoes da placenta/cordao/membranas58,9%1,0%
XVI. Afeccoes perinataisP36Septicemia bacteriana do recem-nascido58,9%1,0%
XVI. Afeccoes perinataisP21Asfixia ao nascer35,4%0,6%
II. NeoplasiasC16Neoplasia maligna do estomago1222,6%2,5%
II. NeoplasiasC34Neoplasia maligna dos bronquios e pulmoes815,1%1,7%
II. NeoplasiasC61Neoplasia maligna da prostata59,4%1,0%
II. NeoplasiasC53Neoplasia maligna do colo do utero47,5%0,8%
II. NeoplasiasC44Outras neoplasias malignas da pele23,8%0,4%
X. Aparelho respiratorioJ18Pneumonia por microorganismo nao especificado2354,8%4,8%
X. Aparelho respiratorioJ15Pneumonia bacteriana nao classificada em outra parte614,3%1,3%
X. Aparelho respiratorioJ44Outras doencas pulmonares obstrutivas cronicas49,5%0,8%
X. Aparelho respiratorioJ21Bronquiolite aguda24,8%0,4%
X. Aparelho respiratorioJ84Outras doencas pulmonares intersticiais24,8%0,4%

Em Afua, o detalhamento confirma que a primeira agenda e qualificar a causa basica: R99 e R54 concentram a maior parte dos mal definidos. Nas causas externas, afogamentos em aguas naturais, agressao por objeto cortante, enforcamento e acidente com embarcacao deixam claro que a resposta nao pode ser generica; precisa combinar seguranca fluvial, saude mental e prevencao de violencia. As afeccoes perinatais tambem reforcam a necessidade de investigar obitos infantis que hoje aparecem mascarados por classificacao perinatal.

3.2. Mortalidade infantil e fetal

SUBNOTIFICAÇÃO PROVÁVEL: o painel SIM local do quadriênio 2022-2025 registra 0 óbitos infantis em todos os anos. Esse resultado é incompatível com 3.969 nascidos vivos no período e com 55 óbitos por afecções perinatais (capítulo XVI da CID-10) registrados pelo próprio SIM. A taxa real de mortalidade infantil de Afuá não pode ser zero, e a discrepância é a principal lacuna de informação do componente epidemiológico.
AnoNascidos vivos (SINASC local)Óbitos infantis registrados (SIM local)Óbitos por afecções perinatais (cap. XVI)Taxa de mortalidade infantil aparente (por 1.000 NV)
20221.01000,00 (a verificar)
202398700,00 (a verificar)
202495900,00 (a verificar)
20251.01300,00 (a verificar)
Quadriênio3.9690 (incompatível)55

A explicação plausível combina três fatores: (a) registro civil incompleto em comunidades ribeirinhas, com óbitos não declarados; (b) classificação dos óbitos perinatais (capítulo XVI) sem cruzamento com a faixa etária (menores de 1 ano), o que esconde os óbitos infantis no painel sintético; (c) deslocamento das gestantes de risco para Macapá ou Belém via TFD, com óbito do recém-nascido fora do território e provável registro no município de ocorrência. Para o PMS 2026-2029, a apuração da taxa real de mortalidade infantil é prioridade absoluta, com investigação retroativa do quadriênio 2022-2025.

IndicadorLinha de baseMeta sugerida 2026-2029
Taxa de mortalidade infantil (por 1.000 nascidos vivos)A apurar (provável subnotificação)Apurar e reduzir 15% ao final do quadriênio
Proporção de óbitos infantis e fetais investigados em até 60 diasA confirmar100%

3.3. Mortalidade materna

A mortalidade materna em municípios de Pequeno II como Afuá flutua com poucos eventos. A meta operacional é zero óbitos maternos evitáveis, e a investigação de 100% dos óbitos em mulheres em idade fértil (10 a 49 anos) é instrumento estratégico para captar óbitos maternos registrados com outra causa básica (especialmente em casos com transferência via TFD). A qualidade do pré-natal (seção 5) é determinante do resultado.

IndicadorLinha de baseMeta sugerida 2026-2029
Óbitos maternos evitáveisA apurar via SIM (causa básica O00-O99 e A34)Tendência de zero (meta-ouro)
Proporção de óbitos de MIF investigados em até 60 diasA confirmar100%
Proporção de óbitos maternos investigadosA confirmar100%

3.4. Mortalidade por causas externas

A mortalidade por causas externas (capítulo XX) totalizou 89 óbitos no quadriênio em Afuá. A elevação de 2022 (20 óbitos) para 2025 (28 óbitos) e o terceiro lugar entre os capítulos CID-10 com mais óbitos exigem desagregação por tipo, prioridade analítica para o PMS 2026-2029. A taxa anualizada média (cerca de 22 óbitos por ano sobre 40 mil hab) corresponde a aproximadamente 55/100 mil habitantes, dentro da faixa nacional, mas com perfil específico ribeirinho a apurar (esperam-se afogamentos relevantes).

Implicação para o DOMI 2026-2029: a desagregação do capítulo XX por subgrupo (V01-V99, W00-X59, X60-X84, X85-Y09, Y10-Y34) é o passo seguinte da vigilância. Para Afuá, a hipótese de trabalho é dupla: predomínio de afogamentos (W65-W74) em decorrência do território fluvial, e provável crescimento de acidentes de transporte (com motociclistas e ocupantes de embarcação) entre 2024 e 2025.

3.5. Mortalidade prematura por DCNT (30 a 69 anos)

Conforme detalhado em 2.2.1, a mortalidade prematura por DCNT é o indicador-síntese do componente crônico. A duplicação das mortes por neoplasias e a quase duplicação das mortes circulatórias entre 2022 e 2025 confirmam pressão sobre a faixa 30-69 anos. A apuração precisa da taxa exige filtro por faixa etária e desconto dos códigos R00-R99, tarefa para a vigilância municipal a ser executada no início do PMS 2026-2029.

4. Internações por Condições Sensíveis à Atenção Básica (ICSAB)

As ICSAB são indicador indireto da efetividade da Atenção Primária. Proporção elevada sinaliza insuficiência na resolutividade da APS; proporção muito baixa pode também alertar para subregistro hospitalar ou para evasão (pacientes internados em municípios vizinhos). Em Afuá, o cenário é particular: a Unidade Mista local não fatura AIH sob gestão municipal (alerta persistente desde o RAG 2024), e o município depende de Macapá (AP) e Belém (PA) para internação de média e alta complexidade, mediante TFD por embarcação.

ALERTA estrutural: a Unidade Mista de Afuá registra zero AIH faturadas sob gestão municipal de forma persistente desde o RAG 2024. Esse fato distorce qualquer cálculo direto de ICSAB do município e exige análise das AIH de residentes faturadas em Macapá e Belém para reconstrução do indicador no DW.
IndicadorLinha de baseMeta sugerida 2026-2029
Proporção de ICSAB sobre total de internações de residentes (incluindo AIH faturadas em Macapá e Belém)A reconstruir via SIH/SUS com filtro MUNIC_RES = 150030Estabilizar abaixo de 25%
Consultas APS por habitante por anoA apurar via SISAB local (12/2025)Atingir 2,0 ao final do quadriênio

A baixa contratualização hospitalar local somada à rotatividade extrema de médicos (cerca de 86% do corpo clínico sustentado pelo PMMB) reduz a capacidade resolutiva da rede e prejudica o diagnóstico oportuno de condições crônicas, deslocando para a urgência casos que poderiam ser manejados na APS. A reestruturação da Unidade Mista e a regulação efetiva de leitos para residentes em Macapá e Belém são pré-condições para que o indicador ICSAB ganhe sentido em Afuá.

5. Indicadores de Saúde Materno-Infantil

5.1. Nascidos vivos e proporção de partos normais

Afuá registra cerca de 1.000 nascidos vivos por ano de forma estável no quadriênio 2022-2025 (1.010 / 987 / 959 / 1.013), o que confere ao município uma das maiores taxas brutas de natalidade do estado, em torno de 24-25/1.000 habitantes (cerca de o dobro da média nacional). A proporção de cesáreas avança de 21,7% em 2022 (219 em 1.010 NV) para 35,7% em 2025 (362 em 1.013 NV), elevação de 14 pontos percentuais que provavelmente reflete duas causas combinadas: aumento de transferência de gestações de risco para hospitais de Macapá ou Belém via TFD, e mudança na conduta obstétrica do hospital de referência. Em qualquer cenário, a proporção de parto normal continua acima da média nacional do SUS (cerca de 55%), porém com tendência declinante.

AnoNascidos vivosCesáreasProporção de cesáreaProporção de parto normal
20221.01021921,7%78,3%
202398728428,8%71,2%
202495929230,4%69,6%
20251.01336235,7%64,3%

A meta sugerida para 2026-2029 é estabilizar a proporção de cesárea entre 25% e 35% (faixa OMS para municípios sem alta tecnologia), com qualificação da indicação obstétrica e fortalecimento das boas práticas em parto normal.

5.1.1. Onde acontecem os partos das mães residentes

A leitura do local de ocorrência mostra que a linha de cuidado obstétrica de Afuá é fortemente regionalizada e interestadual. No SINASC local, considerando mães residentes no município entre 2021 e 2025, 49,5% dos partos ocorreram em Macapá/AP, 28,9% no próprio Afuá e 21,4% em Santana/AP. Esse padrão confirma que a proporção de cesáreas e a segurança do parto não dependem apenas da Unidade Mista local: dependem também da regulação fluvial, do TFD e da pactuação com a rede hospitalar do Amapá.

Município de ocorrênciaUFPartos no período% do total
MacapáAP2.49949,5%
AfuáPA1.45828,9%
SantanaAP1.08021,4%
BrevesPA70,1%
AnajásPA30,1%
MazagãoAP30,1%
Outros municípiosPA/AP30,1%

Fonte: SINASC, base local municipal. Mães residentes em Afuá; período 2021-2025; total de 5.053 nascidos vivos.

Quando se observa o estabelecimento de ocorrência pelo SINASC/DATASUS no quinquênio 2020-2024, a dependência de Macapá e Santana fica ainda mais nítida: o Hospital da Mulher Mãe Luzia, o Hospital Estadual de Santana, o Hospital São Camilo e São Luís e a Maternidade Zona Norte concentram a maior parte da resposta obstétrica fora do Pará. A Unidade Mista de Afuá aparece como segundo maior ponto de ocorrência, mas responde por cerca de um quarto dos partos do período.

Estabelecimento / CNESMunicípioTipo de gestãoPartos no período% do total
Hospital da Mulher Mãe LuziaMacapá/APEstadual2.01739,9%
Unidade Mista de AfuáAfuá/PADupla1.23324,4%
Hospital Estadual de SantanaSantana/APEstadual1.07221,2%
Sem CNES informadoNão informadoSem informação3647,2%
Hospital São Camilo e São LuísMacapá/APEstadual2084,1%
Maternidade Zona Norte Dra. Euclelia AméricoMacapá/APEstadual1432,8%
Outros estabelecimentosPA/APMunicipal/dupla/sem informação150,3%

Fonte: SINASC/DATASUS e CNES/SCNES. Mães residentes em Afuá; período 2020-2024; total de 5.052 nascidos vivos.

A síntese por gestão reforça o ponto crítico para o PMS: 68,3% dos partos das mães residentes ocorreram em estabelecimentos sob gestão estadual, principalmente no Amapá, enquanto a gestão dupla local respondeu por 24,4%. A pauta municipal, portanto, não é apenas ampliar pré-natal; é garantir pactuação formal, transporte sanitário seguro, comunicação de retorno pós-parto e monitoramento das cesáreas realizadas fora do território.

Tipo de gestãoPartos no período% do total
Estadual3.44868,3%
Dupla1.23524,4%
Sem informação3647,2%
Municipal50,1%

Fonte: SINASC/DATASUS e CNES/SCNES. Mães residentes em Afuá; período 2020-2024.

5.2. Pré-natal com 7 ou mais consultas

AnoNascidos vivosNV com pré-natal 7+Proporção
20221.01032832,5%
202398735636,1%
202495940241,9%
20251.01343342,7%

O indicador evoluiu cerca de 10 pontos percentuais em quatro anos, mas continua muito distante do parâmetro ideal (acima de 80%). Mais da metade das gestantes de Afuá não completa o número mínimo de 7 consultas. Os fatores estruturantes do baixo desempenho são bem mapeados: dispersão geográfica das comunidades ribeirinhas, déficit de profissionais fixos (corpo clínico majoritariamente PMMB com rotatividade alta), insuficiência de transporte sanitário fluvial regular e captação tardia. A meta sugerida para 2026-2029 é alcançar 60% até 2027 e 70% até 2029, com estratégia explícita para comunidades ribeirinhas (UBS fluvial, equipe itinerante, telessaúde com obstetra).

5.3. Gravidez na adolescência

AnoNascidos vivosNV de mães 10-19 anosProporção
20221.01030430,1%
202398727227,6%
202495924525,5%
20251.01325525,2%
ALERTA estrutural: mesmo com tendência declinante de 30,1% (2022) para 25,2% (2025), a proporção de gravidez na adolescência em Afuá continua quase o dobro da média nacional (cerca de 14 a 16%). A população feminina de 10 a 19 anos é de aproximadamente 4.040 jovens (2.049 na faixa 10-14 e 1.991 na faixa 15-19), grupo prioritário para ações intersetoriais de planejamento reprodutivo, educação sexual e Programa Saúde na Escola.

A meta sugerida para 2026-2029 é redução para abaixo de 20% até 2029, com cinco frentes integradas: (i) Programa Saúde na Escola em todas as escolas estaduais e municipais, com ênfase no ensino fundamental II e ensino médio; (ii) ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração (DIU, implante) na APS; (iii) acolhimento a adolescentes em todas as UBS, com horário protegido e pacto de sigilo; (iv) articulação com a Lei Municipal 443/2019 (Semana do Bebê) para integrar campanha educativa anual; (v) busca ativa de adolescentes fora da escola via ACS e CRAS.

5.4. Investigação de óbitos materno-infantis

Conforme já apontado em 3.2 e 3.3, a apuração da taxa real de mortalidade infantil é a primeira tarefa do novo quadriênio. A meta de 100% de investigação dos óbitos de MIF, dos óbitos infantis e fetais e dos óbitos maternos é padrão de excelência viável em município com volume contido de eventos, e deve ser pactuada como meta dura no DOMI 2026-2029.

5.5. Rastreamento de câncer feminino

ALERTA persistente: a mamografia de rastreamento (50-69 anos) permanece zerada em Afuá, alerta confirmado desde o RAG 2024. A oferta local não existe e a regulação para Castanhal ou Belém é descontínua. Para o PMS 2026-2029, é meta acionável: implantar fluxo regulado regional via CIR Marajó I, com transporte fluvial pactuado, e atingir razão de mamografia de pelo menos 0,30 ao final do quadriênio.

A razão de exames citopatológicos do colo do útero (25-64 anos) deve ser apurada via DATASUS/Tabnet (SISCAN) e pactuada para 0,50 a 0,65 (parâmetro nacional), com meta intermediária de 0,40 em 2027.

6. Cobertura Vacinal

ALERTA crítico persistente: a cobertura vacinal de crianças de 2 anos em Afuá foi confirmada em 0% por auditoria do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM/PA), alerta presente desde o RAG 2024. O Diário Oficial do Estado de 16 de junho de 2025 (DOE 1970) registra fiscalização do TCM/PA com determinação de regularização da rede de frio em prazo de 60 dias. Esse cenário é incompatível com qualquer planejamento de saúde infantil e exige ação prioritária no primeiro ano do PMS 2026-2029.
IndicadorLinha de baseMeta 2022-2025Meta sugerida 2026-2029
Coberturas vacinais adequadas do Calendário Básico (menores de 1 ano)A confirmar; cobertura aos 2 anos = 0% (TCM/PA)>= 95% por imunobiológico>= 95% em ao menos 14 dos 16 imunobiológicos
Número de imunobiológicos com meta de 95% atingidaInsuficiente16 de 1614 de 16 até 2027; 16 de 16 até 2029

A operação de imunização em Afuá enfrenta três desafios estruturantes: (i) rede de frio fragilizada, com fiscalização específica do TCM/PA em curso; (ii) dispersão das comunidades ribeirinhas, exigindo salas de vacina itinerantes em embarcações; (iii) rotatividade da equipe vacinadora. A meta sugerida para 2026-2029 é progressiva e deve estar acompanhada de plano de regularização da rede de frio (com prazo, orçamento e responsável), cronograma anual de vacinação itinerante e capacitação contínua da equipe.

7. Saúde Mental e Suicídio

Afuá não possui CAPS implantado em território próprio. A atenção em saúde mental é prestada na APS, com encaminhamentos para a referência regional (CAPS de Belém ou de Breves, conforme pactuação CIR Marajó I), o que produz barreira logística importante. A Lei Municipal 505/2023 instituiu o Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas e o Fundo Municipal correspondente, e a Lei Municipal 483/2022 criou o Departamento de Atendimento Psicossocial Escolar (saúde mental infantojuvenil): bases normativas que devem sustentar a estruturação do componente no PMS 2026-2029.

IndicadorLinha de base sugeridaMeta sugerida 2026-2029
Notificação de violência autoprovocada (Y09 e correlatos)104 notificações 2022-2025 (Y09 SINAN)Universalizar notificação em 100% das UBS
Equipe matricial de saúde mental na APSSem equipe própria, depende de matriciamento regionalImplantar equipe matricial até 2027
Pactuação CAPS regionalAcesso fluvial a Belém ou BrevesPactuar oferta efetiva via CIR Marajó I

Para 2026-2029, recomenda-se elaborar plano municipal de prevenção do suicídio, alinhado à Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio (Lei 13.819/2019), com vigilância qualificada sobre o capítulo XX da CID-10 (subgrupos X60-X84) e busca ativa pós-tentativa, articulada à Atenção Primária e ao Programa Saúde na Escola.

8. Agravos prioritários do território amazônico ribeirinho

O perfil epidemiológico de Afuá é típico de município insular do Marajó: predomínio de agravos relacionados ao território fluvial, à fauna sinantrópica e à economia extrativista. O painel SINAN local do quadriênio confirma esse perfil em quatro grandes blocos: animais peçonhentos, exposição a forças da natureza, doenças tropicais negligenciadas e sífilis. A vigilância epidemiológica precisa operar com equipes treinadas em zoonoses, com acesso garantido aos soros do Instituto Butantan/Vital Brazil distribuídos pelo MS, e com inspeção sanitária regular nas batedeiras de açaí (doença de Chagas oral).

Agravo / CIDNotificações 2022-2025 (SINAN local)Implicação para o PMS 2026-2029
Acidentes com animais peçonhentos (W64)589Garantir estoque mínimo de soros antiofídicos e antiescorpiônicos em UBS estratégicas; treinamento da equipe em manejo do envenenamento; tempo de transporte para hospital de referência.
Exposição a forças da natureza (X29)440Vigilância climática (calor, descargas atmosféricas, alagamentos) integrada à Defesa Civil; comunicação de risco a comunidades ribeirinhas.
Doença de Chagas aguda (B57.1)170Inspeção sanitária regular nas batedeiras de açaí (Lei Complementar Municipal 003/2012); investigação imediata de cardiopatia aguda em jovens.
Acidente de trabalho (Y96)111Vigilância em saúde do trabalhador rural ribeirinho; articulação com sindicatos da pesca, da agricultura familiar e do extrativismo do açaí.
Violência (Y09)104Notificação contínua em 100% das UBS; articulação com Polícia Civil e Conselho Tutelar.
Sífilis na gestação (O98.1)68Tratamento de gestante e parceiro em 100% dos casos notificados; prevenção da sífilis congênita.
Dengue (A92.8)67Manter ciclos de visita em comunidades adensadas; capacitação em manejo clínico e classificação de risco.
Sífilis adquirida (A53.9)62Ampliação da testagem em homens parceiros; acompanhamento da resposta sorológica.

9. Qualidade da informação em saúde

A análise consolidada acima depende, em todos os pontos, da qualidade do registro nos sistemas de informação. Para Afuá, três alertas de qualidade da informação devem entrar como diretriz do DOMI 2026-2029, todos eles priorizáveis no primeiro ano de execução do PMS:

AlertaDetalheLinha de baseMeta sugerida 2026-2029
Causas mal definidas (cap. XVIII) no SIM23-28% dos óbitos sem causa básica definida28,4% (RAG 2024)<= 10% até 2029
Subnotificação de óbitos infantis no SIM local0 óbitos < 1 ano em 4 anos com 3.969 NV (incompatível)IndeterminadoApurar e publicar taxa real (sigilo do nominal preservado) até 2027
AIH zeradas na Unidade MistaZero AIH faturadas sob gestão municipalRAG 2024Reativar contratualização hospitalar até 2027
Cadastro do e-SUS AB com excesso de registrosCerca de 121 mil cadastros para 40 mil hab IBGE; 57 mil cadastros ativos sem óbitoRazão e-SUS/IBGE > 1,4Limpeza cadastral até 2027 (razão <= 1,15)

Sem qualificação simultânea desses quatro pontos, os indicadores de cobertura, mortalidade, morbidade e financiamento ficam comprometidos. A integração SIM-SINASC-e-SUS-SINAN, com cruzamento periódico, é a base técnica para tudo o que vem depois.

10. Tendências e Série Histórica

10.1. Síntese das tendências observadas (2022-2025)

IndicadorTendência observada (2022-2025)Classificação
Pré-natal 7+ consultasDe 32,5% para 42,7% (+10,2 pp)Favorável (insuficiente)
Gravidez na adolescênciaDe 30,1% para 25,2% (-4,9 pp)Favorável (ainda elevada)
Cesárea (proporção)De 21,7% para 35,7% (+14 pp)Atenção (a investigar causa)
Óbitos por causas externasDe 20 para 28 (+40,0%)Desfavorável
Óbitos por neoplasiasDe 8 para 18 (+125%)Desfavorável
Óbitos por aparelho circulatórioDe 6 para 11 (+83,3%)Desfavorável
Óbitos infantis registrados (SIM local)0 em todos os anos (subnotificação provável)Crítico
Cobertura vacinal aos 2 anos (TCM/PA)0% confirmado em auditoriaCrítico
Mamografia de rastreamento0% (sem oferta local)Crítico
Causas mal definidas28,4% em 2024 (RAG)Desfavorável
CAPS implantadoNão implantado, depende de pactuação regionalDesfavorável
Notificação de violência104 Y09 no SINAN localA confirmar (ampliação necessária)

10.2. Transição demográfica e implicações epidemiológicas

Comparando a pirâmide etária de 2022 (39.810 hab) e de 2025 (40.473 hab), a faixa 60+ cresceu de 2.864 para 3.201 (+11,8%) e a faixa 0-14 reduziu-se de 13.030 para 12.473 (-4,3%). Mesmo em município com tendência geral de crescimento populacional, o ritmo do envelhecimento é mais acelerado que o da reposição infantil. A implicação epidemiológica direta é a pressão crescente sobre as DCNT (mortalidade prematura, ICSAB) e sobre a saúde mental do idoso, em paralelo à manutenção da forte demanda materno-infantil (cerca de 1.000 NV/ano).

Faixa20222025Variação
0-14 anos (crianças)13.03012.473-4,3%
15-19 anos (adolescentes)4.2724.145-3,0%
20-59 anos (adultos)19.64420.654+5,1%
60+ anos (idosos)2.8643.201+11,8%

11. Problemas Identificados e vinculação ao DOMI

11.1. Problemas críticos

#ProblemaEvidênciaVinculação esperada ao DOMI 2026-2029
1Cobertura vacinal infantil zerada aos 2 anos (TCM/PA), com rede de frio sob fiscalizaçãoAuditoria TCM/PA, RAG 2024 e DOE 1970/2025; alerta persistenteDiretriz de imunização e vigilância em saúde, com objetivo de recompor cobertura >= 95% em 14 de 16 imunobiológicos até 2027
2Subnotificação severa de óbitos infantis no SIM local0 óbitos < 1 ano em 4 anos com 3.969 NV; 55 óbitos por afecções perinatais no mesmo períodoDiretriz de qualificação da informação em saúde, com meta de apurar taxa real até 2027 e investigar 100% dos óbitos infantis e fetais
3Pré-natal 7+ insuficiente e gravidez na adolescência muito acima da média nacional42,7% em 2025 (parâmetro >= 80%); 25,2% de NV de mães 10-19 (média nacional ~14-16%)Diretriz da rede materno-infantil, com objetivos de captação no 1º trimestre, ampliação do pré-natal adequado e enfrentamento intersetorial da gravidez na adolescência
4Mamografia de rastreamento zerada e provável citologia abaixo do parâmetro0% de mamografia desde RAG 2024; ausência de oferta localDiretriz de prevenção e diagnóstico precoce do câncer feminino, com pactuação CIR Marajó I e fluxo regulado para Belém/Castanhal
5Causas mal definidas (cap. XVIII) acima de 23% no SIM local114 óbitos no quadriênio (1º lugar entre os capítulos CID); 28,4% em 2024 (RAG)Diretriz de qualificação do registro de óbitos, com meta de <= 10% até 2029 e implantação de Comitê de Investigação de Óbitos

11.2. Problemas importantes

#ProblemaEvidênciaVinculação esperada ao DOMI 2026-2029
6Crescimento das mortes por neoplasias e por aparelho circulatórioNeoplasias +125% e circulatório +83,3% entre 2022 e 2025Diretriz de DCNT, com estratificação de risco cardiovascular e linha de cuidado oncológica regional
7Causas externas em escalada e perfil ribeirinho a desagregarÓbitos XX +40% entre 2022 e 2025 (20 → 28); 89 no quadriênioDiretriz de prevenção de violências e acidentes, com desagregação por tipo (afogamentos, transporte, agressões) e ações intersetoriais
8Doença de Chagas aguda (B57.1) com 170 notificações no quadriênio3º agravo no painel SINAN localDiretriz de vigilância sanitária da despolpa do açaí, articulada com SEVISA municipal e vigilância estadual
9Saúde mental sem CAPS local e elevada notificação de violência104 notificações Y09; ausência de CAPS; pactuação regional fragmentadaDiretriz de saúde mental, álcool e drogas, com pactuação CIR Marajó I e equipe matricial na APS
10Rede frágil de Atenção Primária com rotatividade extrema86% dos médicos via PMMB; ACS em queda em 2025; cadastro do e-SUS com excessoDiretriz de gestão do trabalho e de qualificação da informação, com fixação de profissionais e limpeza cadastral até 2027

11.3. Lacunas de informação

#LacunaFonte esperadaImpacto na análise
L1Mortalidade infantil real (taxa por 1.000 NV) e por subgrupoSIM local + SINASC local com filtro etário < 1 anoIndicador-síntese da APS materno-infantil indisponível
L2Mortalidade prematura por DCNT (30-69 anos) com filtro CID e etárioSIM local com CID I00-I99, C00-C97, E10-E14, J30-J98 e idade 30-69Indicador-síntese das DCNT indisponível
L3Cobertura vacinal por imunobiológico (SIPNI/InfoMS)SIPNI federal e InfoMS/SEIDIGI 2024-2025Heterogeneidade vacinal entre imunobiológicos não detectável
L4Prevalência de hipertensão e diabetes na APSe-SUS AB local (tb_fat_atendimento_individual)Linha de base das DCNT na APS indisponível
L5Internações de residentes faturadas em Macapá e BelémSIH/SUS federal com MUNIC_RES = 150030ICSAB do município incalculável apenas com Unidade Mista local
L6Sífilis congênita - casos detalhadosSINAN local (sifilis_congenita) com filtro residenteReflexo direto da qualidade do pré-natal indisponível em série
L7Citologia do colo do útero (razão por mulher 25-64)SISCAN/Tabnet com filtro municipalComponente do rastreamento feminino indisponível em série

11.4. Recomendações ao PMS 2026-2029 (síntese)

1. Recompor cobertura vacinal infantil e regularizar a rede de frio sob fiscalização TCM/PA, com cronograma de salas de vacina itinerantes nas comunidades ribeirinhas. Meta dura: 14 de 16 imunobiológicos com cobertura >= 95% até 2027.
2. Qualificar o registro de óbitos: reduzir o capítulo XVIII abaixo de 10% até 2029 e apurar a taxa real de mortalidade infantil até 2027. Implantar Comitê Municipal de Investigação de Óbitos e capacitação anual dos médicos atestantes.
3. Reestruturar a linha materno-infantil: pré-natal 7+ acima de 70% até 2029, gravidez na adolescência abaixo de 20% até 2029, com ações intersetoriais saúde-educação-assistência social e fortalecimento da Lei Municipal 443/2019 (Semana do Bebê).
4. Implantar oferta efetiva de mamografia de rastreamento, via pactuação CIR Marajó I com transporte fluvial regulado, e atingir razão >= 0,30 ao final do quadriênio.
5. Estruturar saúde mental e prevenção do suicídio (Lei 13.819/2019) com matriciamento permanente do CAPS regional, e plano municipal articulado à Lei Municipal 505/2023.
6. Vigilância de DTN e zoonoses como agenda permanente: doença de Chagas oral (despolpa do açaí), animais peçonhentos, leishmanioses, hanseníase, tuberculose, sífilis.
7. Reativar contratualização hospitalar da Unidade Mista local e regularizar a captação de AIH de residentes em Macapá e Belém, condição para o ICSAB ganhar sentido em Afuá.

Gráficos analíticos

Leitura combinada dos três gráficos: a evolução dos óbitos por causas externas e a duplicação dos óbitos por neoplasias (gráfico 1) mostram pressão crescente sobre os capítulos CID-10 mais acionáveis pela vigilância e pela APS. A queda absoluta no número de mães adolescentes (gráfico 2) confirma tendência favorável, mas o patamar continua quase o dobro da média nacional. A trajetória do pré-natal 7+ (gráfico 3) é favorável (+10,2 pontos no quadriênio) mas insuficiente para alcançar o parâmetro nacional. As três séries devem ser monitoradas trimestralmente nos RDQAs do PMS 2026-2029.

Lista de Siglas e Abreviações

SiglaSignificado
ACSAgente Comunitário de Saúde
AIHAutorização de Internação Hospitalar
APSAtenção Primária à Saúde
ASISAnálise de Situação de Saúde
CAPSCentro de Atenção Psicossocial
CIBComissão Intergestores Bipartite
CIRComissão Intergestores Regional
CNESCadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
DATASUSDepartamento de Informática do Sistema Único de Saúde
DGMPDigiSUS Gestor - Módulo Planejamento
DOMIDiretrizes, Objetivos, Metas e Indicadores
DWData Warehouse
eSFEquipe de Saúde da Família
eSBEquipe de Saúde Bucal
e-SUS ABEstratégia e-SUS Atenção Básica
IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística
MACMédia e Alta Complexidade
PASProgramação Anual de Saúde
PMSPlano Municipal de Saúde
RAGRelatório Anual de Gestão
RDQARelatório Detalhado do Quadrimestre Anterior
SIASistema de Informações Ambulatoriais
SIHSistema de Informações Hospitalares
SIMSistema de Informações sobre Mortalidade
SINANSistema de Informação de Agravos de Notificação
SINASCSistema de Informações sobre Nascidos Vivos
SIOPSSistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde
SISABSistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica
SMSSecretaria Municipal de Saúde
SUSSistema Único de Saúde
TFDTratamento Fora de Domicílio

Lista de Tabelas

  1. Lista gerada automaticamente a partir das tabelas do caderno.

Lista de Gráficos e Figuras

  1. Lista gerada automaticamente a partir dos gráficos e figuras do caderno.

Legislação Citada

Leis federais

  • Lei Federal 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes), Planalto/Casa Civil.
  • Lei Federal 13.819/2019 (institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio), Planalto/Casa Civil.

Portarias do Ministério da Saúde

  • Portaria de Consolidação GM/MS 1/2017, Título IV (planejamento da saúde no SUS, instrumentos de gestão), gov.br/saude.
  • Portaria de Consolidação GM/MS 2/2017, Anexo IX (Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, originalmente Portaria GM/MS 2.528/2006).
  • Portaria GM/MS 3.493/2024 (cofinanciamento federal do Piso APS no âmbito do Saúde Brasil 360, sucede o Previne Brasil).

Legislação municipal de Afuá com impacto direto

  • Lei Complementar Municipal 003/2012 (Código Sanitário do Município de Afuá), base normativa para inspeção sanitária de alimentos (incluindo despolpa de açaí).
  • Lei Municipal 329/2010 (cria o Serviço de Vigilância Sanitária do Município de Afuá - SEVISA).
  • Lei Municipal 340/2011 (altera e renumera artigos do SEVISA).
  • Lei Municipal 443/2019 (institui a Semana do Bebê em Afuá), base para campanhas materno-infantis.
  • Lei Municipal 466/2021 (Departamento de Atenção Primária à Saúde e cargo de Coordenador), base estrutural para a APS local.
  • Lei Municipal 483/2022 (Departamento de Atendimento Psicossocial Escolar, saúde mental infantojuvenil).
  • Lei Municipal 505/2023 (Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas e Fundo Municipal correspondente).
  • Lei Municipal 510/2023 (Gratificação de interiorização para Agente de Saúde, Técnico e Auxiliar de Enfermagem), base para fixação de pessoal em comunidades ribeirinhas.

Fontes de dados

  • Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), bases locais e federal (DATASUS), via Data Warehouse Akapu, consulta abril/2026, série 2022-2025.
  • Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), bases locais e federal (DATASUS), via Data Warehouse Akapu, consulta abril/2026, séries 2021-2025 e 2022-2025; estabelecimentos de ocorrência e gestão apurados no SINASC/DATASUS 2020-2024 com CNES/SCNES.
  • Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), base local municipal carregada no Data Warehouse Akapu, consulta abril/2026, agregado quadrienal 2022-2025.
  • Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), DATASUS, via Data Warehouse Akapu, série em reconstrução.
  • Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) e e-SUS AB local, via Data Warehouse Akapu, competência 12/2025.
  • Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e SCNES, via Data Warehouse Akapu, competência mensal 2022-2025.
  • Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA), DATASUS, via Data Warehouse Akapu, competências 2022-2025.
  • Estimativas populacionais IBGE 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579) e Censo Demográfico 2022 com estimativas 2023-2025, via Data Warehouse Akapu, com fonte IBGE/SIDRA e Censo Demográfico 2022.
  • Relatório Anual de Gestão 2024 e Relatórios Detalhados do Quadrimestre Anterior (RDQAs) 2025 do município de Afuá (DGMP).
  • Plano Municipal de Saúde 2022-2025 do município de Afuá (DGMP).
  • Auditoria do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM/PA), DOE 1970 de 16 de junho de 2025.

Glossário

Causa básica de óbito
Doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que levaram diretamente à morte, conforme definição da Organização Mundial da Saúde adotada no SIM. Códigos R00-R99 (sinais e sintomas mal definidos, capítulo XVIII da CID-10) indicam falha de qualificação do registro.
CIR (Comissão Intergestores Regional)
Espaço de governança colegiada da Região de Saúde, com atribuição de pactuar fluxos assistenciais, programação regional, regulação e cofinanciamento. Não se confunde com Região de Saúde, que é o território propriamente dito.
CSAB / ICSAB
Lista nacional de Condições Sensíveis à Atenção Básica e proporção das internações hospitalares cuja causa principal seria evitável com APS resolutiva (hipertensão descompensada, pneumonias, gastroenterites, etc.).
DTN (Doença Tropical Negligenciada)
Conjunto de doenças endêmicas em populações vulneráveis, com pesquisa e tratamento historicamente subfinanciados. Incluem hanseníase, leishmanioses, tuberculose, doença de Chagas e outras.
MIF (Mulheres em Idade Fértil)
Mulheres entre 10 e 49 anos. A investigação dos óbitos de MIF é estratégia para captar óbitos maternos registrados com outra causa básica.
Pré-natal adequado
Pré-natal com 7 ou mais consultas (parâmetro mínimo brasileiro). O parâmetro ideal de qualidade é acima de 80% dos NV com 7+ consultas.
TFD (Tratamento Fora do Domicílio)
Programa de transporte e auxílio para deslocamento de paciente do SUS para município de referência quando não há oferta local. Em Afuá, o TFD opera por embarcação para Macapá ou Belém.
Transição demográfica
Processo de mudança da estrutura etária da população, com redução proporcional das faixas jovens e crescimento das faixas idosas, com impacto direto no perfil de demanda em saúde.

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